MANDIOCA:UMA BOA ALTERNATIVA PARA A ALIMENTAÇÃO ANIMAL

Atualmente cultivada em mais de 80 países, a mandioca tem o Brasil como um dos seus maiores produtores. Em 2014, de acordo com levantamento do IBGE, a produção ficou em mais de 23 milhões de toneladas no país. A mandioca é a terceira maior fonte de carboidrato e faz parte da dieta de muitas pessoas e até animais.

 

Seu cultivo é relativamente fácil. A planta se adapta em regiões de clima tropical e subtropical e tolera até solos ácidos e pouca adubação. A preparação do solo é simples, com aragem e depois é só manter limpo o terreno com capinas que podem ser feitas com ajuda de um motocultivador.

 

Na alimentação animal várias espécies podem ser nutridas e aproveita-se todas as partes da planta. Pode ser usada em forma de raspa, feno e silagem. Até mesmo a parte aérea (folhas e caules) e a manipueira, líquido tóxico originado da prensagem, podem ser aproveitadas. Os principais usos são como componente proteico e energético na composição de rações.

 

De acordo com o pesquisador da Embrapa, Frederico Lisita, em algumas regiões do país há dificuldades de produzir milho e soja e por isso a mandioca pode ser boa opção, especialmente para alimentar frangos de corte e postura.

 

Os segredos da qualidade da raspa, do feno e da silagem

Nutricionalmente a mandioca apresenta quantidades mínimas de proteína, vitaminas, minerais e fibra e por isso é bem aceita pelos animais. A raspa de raízes pode ser incluída em rações de animais domésticos, substituindo total ou parcialmente os cereais.

 

A umidade é um fator importante para a concentração de energia. Por exemplo: a raiz fresca tem menos de 1500 kcal por quilo de massa fresca. Agora quando desidratada varia de varia de 3.200 a 3.600 kcal. Por isso o processo ajuda a conservar melhor a raiz depois de colhida e aumenta o valor nutricional, o que ajuda na composição dos alimentos.

 

Para desidratar basta colocar as raízes no sol e durante o processo remexer várias vezes com ancinho ou rodo até que fiquem bem secas. De acordo com a Embrapa a produção de raspa deve ocorrer no período adequado à colheita, quando as condições climáticas são favoráveis (boa insolação, alta temperatura e baixa umidade relativa). É muito importante lavar bem as raízes depois de colhidas para tirar toda a terra. O processo eleva a qualidade principalmente quando se pretende triturar com casca. Em termos de rendimento estima-se que para cada 1.000 quilogramas de raízes são produzidos de 300 a 400 quilogramas de raspa.

 

Os galhos e folhas, incluindo as manivas, podem ser utilizados na produção de feno, que pode ser usado para alimentar bovinos, caprinos e equinos. Já para aves, suínos e cavalos devem ser utilizadas as hastes e folhas mais moles. O feno de mandioca também substitui a alimentação com cereais por ter um teor alto de cálcio, ferro e vitamina A.

 

Logo após a colheita o material mais tenro e superior deve ser triturado e exposto ao sol. Deve-se ter cuidado com a parte lenhosa que é de difícil trituração e pode machucar o estômago dos animais. O feno também deve ser exposto a secagem e tem o mesmo rendimento da raspa.

 

Outra forma de ração é a ensilagem que, assim como o feno, consiste em triturar a parte superior da rama no fundo de um silo e depois socar. A compactação tirar o ar da massa obtida. Depois é só cobrir o silo com lona preta, palha e terra. A fabricação da silagem leva cerca de 40 dias e depois de pronta ela serve para alimentação de ovelhas, bois, bodes e cavalos.

 

Fonte: Mundo Husqvarna